Me lembro exatamente do primeiro dia que a Valentina usou o sling. Ela tinha um mês de vida, era um tisco de criança, vivia chorando, nunca dormia e eu estava um caco. Sério, eu estava um caco.
Todas as noites era aquele mesmo ciclo: eu amamentava, me recostava na cama para ela arrotar e, antes que eu pudesse colocá-la deitada, lá estava ela de novo de boca aberta fazendo barulho. Eu não conseguia descansar, não dormia nada e estava exausta.Não me lembro bem como cheguei até aquele anjo, mas lembro bem quando ela chegou lá em casa - nessa época eu morava em Floripa e era meados de janeiro, um calor danado. Uma moça com cara simpática que, não apenas vendia slings, mas levava até a casa das mães e as ensinava a usar.
Na simulação, a Valentina era o Snoopy de pelúcia. Aquilo foi engraçado. Ele era maior que ela e a moça o segurava com um carinho e delicadeza tão grandes, que parecia mesmo um recém nascido.
Eu estava animada e insegura ao mesmo tempo. Era um pouquinho estranha a ideia de colocar a minha filha dentro de uma mini rede de tecido e sair por aí com ela ali empacotada. Mas eu precisava tentar. E, olha, ainda bem que tentei.
Depois de entender como era o funcionamento daquela panarada e, principalmente, de como fazer aquilo com segurança, eu me aventurei. Me aventurei e ganhamos o mundo.
O que aconteceu foi mágico. Tudo que a Valentina queria e precisava era estar perto de mim. Por algum motivo, ou vários, a segurança a tranquilidade dela naquele momento dependia de estar próxima da mamãe. E assim foi. Ela entrou no sling e se tranquilizou. Chorou menos e dormiu mais. Eu também.
Ouvi muitas vezes das pessoas “mas ela está bem aí dentro?” Ou “ela não esta está sufocando?” E, ainda “vai ficar mimada com tanto colo da mãe!” Eu sempre dava um leve sorriso e respondia segura que ela estava no melhor lugar do mundo, onde precisava estar naquele momento: próxima da mamãe, ouvindo o coração dela bater, assim como era quando estava na minha barriga.
Tenho dúvidas de quanto tempo usamos aquele pano mágico, mas foi o tempo suficiente de nos estruturarmos emocionalmente e conseguirmos sair dali pra vida.
Hoje, dez anos depois, nossa ligação ainda é muito profunda. O uso do sling me ensinou algo desde cedo, que alimenta essa ligação diariamente: não se nega afeto a um filho. Valentina sempre recebeu de mim todos os colos que precisava, todos os abraços que pediu, todos os afagos que nem ela sabia que tinha que receber. Porque educar um filho, sobretudo, é muito mais sobre dizer sim ao amor do que qualquer outra coisa que esteja escrita em um livro.
Ame e basta.

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