domingo, 30 de julho de 2023

63o dia de isolamento social

 63o dia de isolamento social

Brasil - pandemia do Covid-19
19/05/2020 (naquele que era pra ser “o ano”)

Não. Não vamos renascer. A humanidade não irá rever seus conceitos e “sair dessa” melhor do que entrou.
Continuaremos homofóbicos, corruptos, individualistas, depressivos. Ainda conviveremos com desigualdades (maiores, bem maiores até), com antipatia, com desamor.
O mundo morre, enquanto eu tento me esconder em casa e entender o que acontece lá fora. Aqui dentro tem saúde física, mas dor psíquica. Tem insônia, tem ansiedade, tem medo, tem impaciência.
Se já não entendia o propósito da vida antes, agora nada parece ter sentido algum. Pra que esse caos todo? Porque? Pra onde?
Um passarinho na gaiola fica triste sem pode voar na natureza. Será que com o tempo ele desaprende de voar? Espero que não... minha gaiola é pequena, é agoniante e também confusa. O voo justifica e ampara tudo.
Tô meditando. Alguns dias tranquila e relaxada, em outros pensando na infinidade de assuntos que deveriam estar em qq outro lugar - mas não na minha mente. Não naquela hora.
Também estou correndo. Na esteira. Não penso no motivo, não sinto o efeito da endorfina - só tô indo.
Eu me sinto me segurando para “quando as coisas voltarem ao normal”. E eu puder de novo andar na rua sem medo, correr no verde, abraçar. Mas esse normal está demorando a chegar... onde ele está? Aliás, ele vai chegar?!
Tá muito difícil ficar sem norte. Acordar sem objetivo, sem meta, sem plano. Não ter uma prova desafiadora pra correr que me estimule a treinar, umas férias maravilhosas para desfrutar com todo seu planejamento pra me ocupar. Tá difícil pensar que nossa curva de mortos sobe... enquanto eu me preocupo com minhas pequenices. Sobreviver não deveria ser meta de vida.
Queria ouvir o sussurro do universo no meu ouvido “vai passar...”. Mas no fundo, ninguém sabe se vai. Ou o que restará no amanhã do nosso hoje. O “vai passar” que não passa de um meio de atenuar o cenário e tornar as dificuldades suportáveis. Ninguém sabe se ou como vai.
Sentei e chorei. Ando precisando esvaziar. Todo dia, mais de uma vez. Esvaziar pra continuar. 

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