Acordei emotiva…
Meu irmão acabou de me mandar essa foto e tanta coisa me passou aqui… em especial memórias da minha avó. Sei que ela foi embora em paz e na hora certa, mas sinto saudades.Muitos anos antes de morrer ela já quase não saía de casa. Mas era impressionante como ela era o centro, ali do alto da cadeirinha de balanço. A família girava em torno dela e ela sempre estava a par de tudo - “Rádio Carvalho” para os mais chegados.
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Era uma leitora voraz: todos os dias lia todos os jornais impressos que assinava além das inúmeras revistas dos assuntos mais diversos. Decoração, moda… sempre achei intrigante esse hábito da vovó - o que raios ela queria com o último grito da moda? Mas acho que era uma forma dela se conectar com o mundo que já via muito pouco. E isso, junto com as incontáveis cruzadinhas que preenchia diariamente, manteve a cabeça dela em pleno funcionamento até seu último dia de vida. Lembrarei disso daqui a pouco…
Quando eu disse pra ela que estava grávida e que ela se chamaria Valentina se fosse menina, vovó riu e falou pausadamente VA-LEN-TI-NA! E em seguida “não acha muito comprido não?!” Ah, vó… ❤️
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Quando eu ia sair - e teve uma época em que eu saia muito! - ela sempre, sempre, sem nenhuma excessão, virava pra mim e falava “não vai levar um casaquinho, não?!” E eu, num misto de amor e rebeldia, respondia com carinho que não.
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A lembrança mais nostálgica que eu tenho sua é do pão careca com “prisunto” regado a coca cola no domingo de noite. Essa até meu irmão, que de saudosista não tem nada, lembra. Fantástico na televisão e pão careca com “prisunto” para fechar o domingo. Queria repetir igualzinho agora…
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“Faxavor” era uma clássica! Assim como “Que Deus lhe pague e lhe crie para a boa sorte”. Eu adorava quando ela falava essas coisas!
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Um dia ela quebrou o fêmur quando caiu e precisou operar. Eu não morava mais no Rio e gelei com a notícia. Vim correndo pra cá, às pressas, porque senti que ia perdê-la. Cê acha?! A coroa operou, se recuperou e voltou pra casa serelepe - não antes de reclamar da comida do hospital. Hahaha e muito antes do que esperávamos você já estava andando, vó! Que alegria!
Quando eu ia sair - e teve uma época em que eu saia muito! - ela sempre, sempre, sem nenhuma excessão, virava pra mim e falava “não vai levar um casaquinho, não?!” E eu, num misto de amor e rebeldia, respondia com carinho que não.
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A lembrança mais nostálgica que eu tenho sua é do pão careca com “prisunto” regado a coca cola no domingo de noite. Essa até meu irmão, que de saudosista não tem nada, lembra. Fantástico na televisão e pão careca com “prisunto” para fechar o domingo. Queria repetir igualzinho agora…
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“Faxavor” era uma clássica! Assim como “Que Deus lhe pague e lhe crie para a boa sorte”. Eu adorava quando ela falava essas coisas!
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Um dia ela quebrou o fêmur quando caiu e precisou operar. Eu não morava mais no Rio e gelei com a notícia. Vim correndo pra cá, às pressas, porque senti que ia perdê-la. Cê acha?! A coroa operou, se recuperou e voltou pra casa serelepe - não antes de reclamar da comida do hospital. Hahaha e muito antes do que esperávamos você já estava andando, vó! Que alegria!
Quando o universo dela se reduziu a uma cama hospitalar devidamente instalada na sala dela, lugar onde sempre passou seus dias, veio uma travessa rebeldia, num suspiro de esperança de ter algum controle sobre alguma coisa. Nessa ocasião, de certa forma, ela já não comandava a própria vida. Tinha que tomar os remédios sem questionar, não podia comer os docinhos que sempre gostou, tinha uma lista de exercícios fisioterápicos que não podia escapar. E o que ela fazia? “Não vou tomar banho!” ou a mais clássica “Tá bom, mas não lavo o cabelo!” Lembro que a minha família montava um verdadeiro plano tático para convencer a vovó de lavar o cabelo!
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Olhando pra ela naquela época eu percebi como é a evolução da gente na vida. A gente nasce e morre criança. Isso não é de todo mal.
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Na última vez que a vi, pouco antes de morrer, eu não consegui me despedir. Entrei na sala e você estava dormindo de ladinho na tal cama. Já não mais roliça e cheia de vida. Eu te senti murchinha, vó… e tive a certeza que seria nosso último encontro. Permiti que fosse sereno e sem um adeus. Eu não queria te dar esse adeus.
Olhando pra ela naquela época eu percebi como é a evolução da gente na vida. A gente nasce e morre criança. Isso não é de todo mal.
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Na última vez que a vi, pouco antes de morrer, eu não consegui me despedir. Entrei na sala e você estava dormindo de ladinho na tal cama. Já não mais roliça e cheia de vida. Eu te senti murchinha, vó… e tive a certeza que seria nosso último encontro. Permiti que fosse sereno e sem um adeus. Eu não queria te dar esse adeus.
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Não sei se nós encontraremos de novo, vó, mas você está em mim e te sinto no meu coração todos os dias da minha vida. Você continua cuidando de mim e sou muito grata por isso!
Não sei se nós encontraremos de novo, vó, mas você está em mim e te sinto no meu coração todos os dias da minha vida. Você continua cuidando de mim e sou muito grata por isso!

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