(Escrito originalmente em 5 de janeiro de 2021)
Amores líquidos, conceito linda e profundamente abordado por Bauman. É aquele amor que as pessoas querem manter, enquanto lhes trouxer satisfação, sendo substituído rapidamente por outro que apresente melhor custo-benefício. Tipo trocar de máscara hoje em dia.
Acabamos vivendo um paradoxo, uma vez que o ser humano quer construir algo mais sólido e menos raso, mas ao mesmo tempo encara a visão de amor como “objeto encontrado”. Ainda não consegui chegar ao fim da minha leitura de “Amores Líquidos”, tamanha a densidade da obra e angústia que sinto ao desbravar aqueles escritos. A clareza com que ele descreve a fragilidade dos relacionamentos modernos é dolorida pra mim. No bom e velho português, hoje é muito fácil bloquear e descartar alguém.Não sou defensora dos relacionamentos nos moldes da minha avó. Em que a separação não era uma opção e se aguentava tudo em prol da manutenção da família – tudo mesmo. Mas o descarte hoje é tão gratuito que fomos de um extremo pólo ao outro.
A facilidade das relações, promovida pelo mundo conectado em que vivemos, não está relacionada à qualidade delas. E aí o que vemos é um mundo de relações fugazes e, desculpem-me a franqueza, rasas e tristes. Mas eu sigo profunda. Mas eu sigo alegre. E não me encaixo nas teorias do sábio, mas cruel, Bauman. Vivo nessa sociedade líquida, mas não me identifico com ela. Um dia qualquer desses, eu me rendo. Mas vou lutar até o último minuto.
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