Um dia ele me contou uma história. O primo dele estava dirigindo para uma cidade vizinha, em uma viagem de cerca de 3h. A esposa do primo, sentada no banco do carona, foi a viagem toda - TODA - com a mão apoiada na perna dele. Meu namorado, mais novo na época e que viajava atrás, viu aquilo e pensou “é isso que eu quero”. Ele me contou aquilo com um enorme brilho no olhar, se referindo à mulher que ele queria ter do lado dele.
A gente terminou.
A gente terminou.
Hoje, muitos anos, alguns tantos relacionamentos, um casamento e uma filha depois eu sigo não querendo ser aquela mulher. Simplesmente pelo fato de não conseguir ser aquela mulher.
Não sei ser apenas uma coisa. Eu me sinto precisando ser muitas para me sentir realizada - e poder pensar em realizar um parceiro.
Eu quero fazer carinho na perna, mas eu quero colocar música alta na estrada e cantar desafinada - canta junto comigo? Ou pode rir da minha cara também! Quero tirar um cochilo de boca aberta sem ter vergonha por não ser bonito; quero curtir a paisagem e conversar com Deus; quero parar pra fazer xixi e tomar um café - enquanto a gente faz planos pra quando chegar.
Quero cafuné e fogo. Quero agito e calmaria. Quero correr e quero dormir. Quero rir e chorar. Não quero ficar 3h com a mão repousada sobre uma perna. Mesmo que seja a perna que eu amo.
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