domingo, 30 de julho de 2023

Era cinza, era sem graça. Até que do nada surgiu um talvez.

(Escrita originalmente em 20 de outubro de 2020).


Era cinza, era sem graça. Até que do nada surgiu um talvez. Era sábado e você cozinhou pra gente. Não zombou do meu gosto por rosé e lembrou que amo pudim de claras.

Eu ri tanto que cheguei a me achar abobada. Amo quem me faz rir. E você faz isso de uma forma irritantemente natural. Quando eu vejo, já estou me rasgando e me derretendo.
Você parecia tão você... o você de sempre. Mas ao mesmo tempo tão confortável dentro de mim, tão íntimo, tão em casa. E eu ali, entregue. De onde te conheço?
Fiquei pensando se era eu querendo querer ou eu fingindo não estar vendo o desejo surgir. Eu me confundo às vezes nisso tudo. Acho que ainda não sou boa ouvinte de mim mesma.
Tudo seguindo rápido e devagar. Intenso e fluido. Quente e sem pressa. Não conheço esse ritmo _sem pressa_. Talvez eu goste dele dessa vez. Queria.
Só não se perca em mim. Não acredite no que falo, eu minto. Minto pra você como minto pra mim - é sempre assim. Apenas me leia, apenas entenda minha imensidão.
Talvez eu goste do riso largo e sem pressa com você. Talvez a gente vá se querendo por mais umas horas - até o sol se pôr. Só não se perca em mim. E não acredite no que eu falo, eu minto.

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