domingo, 30 de julho de 2023

Ah, vó… ❤️

Acordei emotiva…

Meu irmão acabou de me mandar essa foto e tanta coisa me passou aqui… em especial memórias da minha avó. Sei que ela foi embora em paz e na hora certa, mas sinto saudades.
Muitos anos antes de morrer ela já quase não saía de casa. Mas era impressionante como ela era o centro, ali do alto da cadeirinha de balanço. A família girava em torno dela e ela sempre estava a par de tudo - “Rádio Carvalho” para os mais chegados.
.
Era uma leitora voraz: todos os dias lia todos os jornais impressos que assinava além das inúmeras revistas dos assuntos mais diversos. Decoração, moda… sempre achei intrigante esse hábito da vovó - o que raios ela queria com o último grito da moda? Mas acho que era uma forma dela se conectar com o mundo que já via muito pouco. E isso, junto com as incontáveis cruzadinhas que preenchia diariamente, manteve a cabeça dela em pleno funcionamento até seu último dia de vida. Lembrarei disso daqui a pouco…
Quando eu disse pra ela que estava grávida e que ela se chamaria Valentina se fosse menina, vovó riu e falou pausadamente VA-LEN-TI-NA! E em seguida “não acha muito comprido não?!” Ah, vó… ❤️
.
Quando eu ia sair - e teve uma época em que eu saia muito! - ela sempre, sempre, sem nenhuma excessão, virava pra mim e falava “não vai levar um casaquinho, não?!” E eu, num misto de amor e rebeldia, respondia com carinho que não.
.
A lembrança mais nostálgica que eu tenho sua é do pão careca com “prisunto” regado a coca cola no domingo de noite. Essa até meu irmão, que de saudosista não tem nada, lembra. Fantástico na televisão e pão careca com “prisunto” para fechar o domingo. Queria repetir igualzinho agora…
.
“Faxavor” era uma clássica! Assim como “Que Deus lhe pague e lhe crie para a boa sorte”. Eu adorava quando ela falava essas coisas!
.
Um dia ela quebrou o fêmur quando caiu e precisou operar. Eu não morava mais no Rio e gelei com a notícia. Vim correndo pra cá, às pressas, porque senti que ia perdê-la. Cê acha?! A coroa operou, se recuperou e voltou pra casa serelepe - não antes de reclamar da comida do hospital. Hahaha e muito antes do que esperávamos você já estava andando, vó! Que alegria!

Quando o universo dela se reduziu a uma cama hospitalar devidamente instalada na sala dela, lugar onde sempre passou seus dias, veio uma travessa rebeldia, num suspiro de esperança de ter algum controle sobre alguma coisa. Nessa ocasião, de certa forma, ela já não comandava a própria vida. Tinha que tomar os remédios sem questionar, não podia comer os docinhos que sempre gostou, tinha uma lista de exercícios fisioterápicos que não podia escapar. E o que ela fazia? “Não vou tomar banho!” ou a mais clássica “Tá bom, mas não lavo o cabelo!” Lembro que a minha família montava um verdadeiro plano tático para convencer a vovó de lavar o cabelo!
.
Olhando pra ela naquela época eu percebi como é a evolução da gente na vida. A gente nasce e morre criança. Isso não é de todo mal.
.
Na última vez que a vi, pouco antes de morrer, eu não consegui me despedir. Entrei na sala e você estava dormindo de ladinho na tal cama. Já não mais roliça e cheia de vida. Eu te senti murchinha, vó… e tive a certeza que seria nosso último encontro. Permiti que fosse sereno e sem um adeus. Eu não queria te dar esse adeus.
.
Não sei se nós encontraremos de novo, vó, mas você está em mim e te sinto no meu coração todos os dias da minha vida. Você continua cuidando de mim e sou muito grata por isso!



Reflexões sobre fé


Quando você tem uma educação onde a fé é muito presente (não vou nem falar de religião necessariamente), é natural que você sinta essa marca, que você siga esse caminho.
Quando você é criado em um lar onde não se fala em Deus, não se fala em algo além do material, onde a visão de vida é “morreu acabou”, é bem mais complexo esse assunto.
.
Quando meu pai morreu, foi a primeira vez na vida em que eu me senti sem chão. Meu pai era meu pilar, minha referência de amor e um dia ele não estava mais aqui.
Eu chorava, muitas vezes, querendo acreditar em algo. Buscando uma paz que eu não sabia onde encontrar. Foi muito difícil pra mim.
.
Eu comecei a buscar meu caminho espiritual bem mais tarde. Porque mesmo não conseguindo “dar forma”, meu coração sabia que existia algo a mais do que eu conseguia ver. Mas até hoje são crenças meio amorfas… isso tudo chegou junto com minha busca por autoconhecimento. Curioso isso… à medida em que eu fui me conhecendo mais, rolou uma espécie de lapidação da Ursula - com uma busca por alguém melhor pro mundo e pra mim e, somado a isso, alguém com mais fé. Um caminho que não foi nem será regular, tampouco bem delineado. Mas que está sendo construído diariamente.
.
Hoje, sobretudo, procuro ter uma conduta baseada em bons valores e boas práticas. Coisas simples como espalhar amor e não reclamar de tudo o tempo todo. Procuro entender (e construir dentro de mim) que existe uma força maior regendo a vida. Deus?
Gosto de pensar no universo como esse algo maior. Na natureza como Deus - aí sim! Um Deus que eu não consigo enxergar em um templo, mas que eu sempre vejo do alto da montanha - não à toa busco sempre passar por lá…
.
Acredito em boas energias e em boas vibrações e entendo que se eu fizer coisas com amor e tiver, de fato, amor no meu coração, minha vida se cercará de positividade e eu receberei verdadeiros presentes - sendo os mais importantes sem forma de coisas, mas de pessoas.
.
Obrigada, universo.
Por tudo, por tanto.



Meu pai, meu papanungai



Minha referência de amor. Minha referência de tranquilidade e de forma de enxergar a vida. A conexão que a gente tinha era tão incrível que muito do que eu sou hoje, veio dele. Ele era meu “papanungai”, e eu a “brutchununguinha” dele.

Sempre foi meu pilar, meu porto seguro. Além de um acadêmico que deixou um legado incrível e marcou a vida de muitos dos seus alunos.

Um pai que educou uma prole honesta, de quatro filhos. Acho que ele teria tido mais até. Amava criança e elas amavam ele. Sempre tinha uma piada, um doce, uma charada ou uma brincadeira inusitada.
Foi o pior pescador que eu já conheci nessa vida e o pior motorista também. Sério, não deveriam deixar meu pai ter tirado carteira!

Ele via beleza nas pequenas coisas, se encantava com o sutil e mergulhava com total atenção no que quer que tivesse fazendo. Sabia bem o que era mindfullness muito antes da moda pegar. Era sábio, meu velho.
No cinema eu tinha vergonha dele. Na hora que todo mundo estava rindo, meu pai ficava estático. E quando estava aquele silêncio completo, na cena mais inusitada, ele rolava de rir. Gente, ele quase caía da cadeira, que vergonha!

No ônibus ou no trem, sempre cedia o lugar. Ele era de uma gentileza sem tamanho, que fazia mais bem pra ele mesmo do que para quem ele atendia.

Inventava músicas para tudo. Para a hora de comer, de tomar banho, de passear, de dormir. Musicava o medo dos filhos e transformava lobo em bolo em dois tempos. Nossa, como eu sinto falta disso.
Era químico, mas amava instrumentos, sendo a flauta doce a grande escolhida. Meu pai era doce.
Tinha uma oficina completa no sítio, onde ele fazia desde móveis, peças de xadrez (jogo que, por sinal, ele amava), até onde se aventurava a consertar os carros velhos e caquéticos que durante muito anos ele teve. Ah! E que eram apelidados carinhosamente sempre, com nomes de gente.

Era de uma sensibilidade incrível e hoje me lembro com um saudosismo enorme dele ouvindo música clássica pela casa em volume ensurdecedor, gesticulando como um maestro e vibrando com a nona. Ele realmente vibrava.
Era um idealista nato. A (quase) inocência dele era muito bonita. Via Deus como a natureza (como eu vejo), sempre criou galinhas e construiu uma secadora de bananas enorme, de onde saíam as melhores bananas passas do mundo!

Nunca tive resposta para o porquê dele ter ido embora antes da hora. Ele foi embora antes da (minha) hora...

Mas aprendi a enxergar sua ida com o mesmo otimismo que ele enxergava a vida. Como sou grata por tudo que vivi, que senti, que construí ao lado dele. Feliz de quem conheceu Reinaldo. Hoje tem festa no céu pela data do seu aniversário.

Brindarei por você daqui, eu pai, meu papanungai.



Eu posso muitas coisas

Minha lista do “não posso” agora tá grande... Tão grande que dá raiva, às vezes tristeza, as vezes angústia e quase sempre cansaço. Tenho me sentido cansada emocionalmente.

Mas desde que eu ouvi a @babi__amaral falar que “tem algo de incrível acontecendo agora”, que eu mais que resolvi alimentar a minha lista do “eu posso”. Na verdade essa é a filosofia de vida que eu tenho, faz tempo, buscado: reclamar menos e desfrutar e agradecer mais. Olhar com satisfação e amor para tudo que eu tenho e aceitar de forma mais leve o que eu não tenho.

Não estou falando da positividade tóxica. Odeio positividade tóxica. Tá duro pra todo mundo. Difícil e desanimador muitas vezes. Mas, diante de tantas perdas e privações, eu escolho, diariamente, aumentar minha lista de “possos”.

Eu posso me privar de umas horas de sono para ver o nascer do sol. Para sentir a paz que me dá o barulho das ondas; a energia que me nutre meditando na praia.

Foi uma delícia ver o senhor se movimentando antes do dia clarear; o casal apaixonado fotografar animado seu amor; a nadadora, ainda meio dormindo, se alongar antes de cair no mar; uma revoada de pássaros lá no alto, numa expressão máxima de liberdade.

Não nego a dor, a privação, a dificuldade. Mas eu posso muitas coisas. E isso é muito mais sobre como enxergar a vida do que de fato ter a vida perfeita.


A morte da dor. E do sentimento.

O que acontece com o pé do atleta no lugar onde sempre faz bolha?! Com o passar do tempo, vira calo.

O calo é uma pele dura, resistente à dor. Mas é uma pele também sem sensibilidade - já passou o dedo em cima de um calo? Você não sente nada, nadinha.

Acho que é isso o que vai acontecendo com o ser humano ao longo da vida. De tanto as bolhas insistirem em se formar, os calos vão chegando. A gente vai ficando super resistente aos atritos! Quase não sente mais aquela dor amiga que volta e meia insistia em chegar.

Mas o que acontece com a sensibilidade naquela região?! Vai sendo perdida também.
A morte da dor. E do sentimento. Que triste.

1/2 fica, 1/2 vai

2 cafés

1 silêncio
957 emoções
1/2 fica, 1/2 vai



A mão aqui é a minha

 (Escrito originalmente em 24/03/2021)

O poder de uma mão que te segura e fala “calma, vai ficar tudo bem”, é mágico. A ausência desnorteadora.
Não ter a mão pra dividir o peso, pesa. Se o peso vem do filho, uma tonelada.

Quando a confusão tá só lá fora, seguro. Quando ela entra em casa, fraquejo.

A mão aqui é a minha - a mesma que abraça, brinca, cuida, enxuga lágrima, arregaça a manga e faz ficar tudo sob controle, nem que seja na marra.

Para todos que estão cuidando de uma criança nessa pandemia, em especial aos que cuidam sozinhos, minhas sinceras reverências.

Ninguém solta a mão de ninguém.



Para todos que amam direito

 

No meu processo de busca por autoconhecimento existem pessoas, livros, profissionais e podcasts que me auxiliam direta ou indiretamente nele.

E tem a Natália.

Natália é um capítulo à parte com o podcast @paradarnomeascoisas . Sempre me sinto numa mesa de bar, em um lugar onde eu não preciso me esticar e nem me encolher. Adoro quando ela fala isso.
Naty, muito obrigada pelo belíssimo trabalho, você é incrível.

Hoje eu ouvi o “Vergonha de amar de amar de novo” por indicação da @luanafornaciari (te amo, saudades). E, olha... todo mundo deveria assistir. Os constrangedores e os constrangidos. Mas, sobretudo, os constrangidos.

Segue abaixo pequeno recorte (quase que) na íntegra de algumas (maravilhosas) falas dela.

“Deixe o constrangimento para quem o causou. Deixe o constrangimento para quem não conseguiu se entregar. Deixe o constrangimento para quem não conseguiu dizer. Para quem não consegui honrar aquilo que estava sentindo. Para quem não foi sincero, verdadeiro, honesto.
Deixe o constrangimento para quem o causou.

Não deixe um constrangimento que não é seu te travar em novas relações. Não deixe que esse constrangimento causado por outro, vire em você uma vergonha de amar. Vire em você uma vergonha de se entregar. Uma vergonha de se vulnerabilizar. Isso não é sobre você.

Se a pessoa te traiu, se a pessoa te abandonou, se a pessoa mentiu pra você, se a pessoa foi vazia, não foi sincera, isso é um constrangimento que não é seu.

A gente não pode se envergonhar por ter amado direito. Por ter amado de peito aberto.”

Para todos que amam direito.




Respirei fundo

Eu estava lendo umas notícias aqui de Brasil e mundo e acabei ficando um pouco sensível. Me bateu uma sensação de que isso não ia acabar nunca e o quanto essa pandemia é detestável.

Mas respirei fundo. Lembrei de hoje lá na pedra, da sensação boa que eu tenho quando estou no alto, na natureza. Pensei no quanto a vida tem nos exigido mais do que nunca vivermos o hoje, com o mais profundo sentido que possa fazer. O quanto a vida tem exigido que eu viva o hoje sem expectativa de nada. Porque é só ele que eu tenho.

Pra mim é difícil viver sem expectativas... mas não deixa de ser um exercício válido. Ainda mais em tempos de pandemia.

Fecho meu domingo, grata pelo meu hoje. Lidando com uma ou outra expectativa resistente, uma ou outra ausência, mas seguindo grata e feliz, tentando aprender que eu não preciso preencher todos os espaços, todas as ausências sentidas. Que eu não tenho que buscar completude fora de mim e nem tantas extraordinariedades, mas que preciso aprender a lidar com o ordinário - tornando-o grande. E que isso torna a minha vida grande e feliz. 




Viver não é preciso

Mais um dia de navegar... 


Hoje botei pilha pro Geniton, outro novo amigo do camping, fazer um passeio comigo. Fomos pra cachoeira do Lajeado remando. Quem nos guiou foi o Cauã (até bem parecido com o Raymond, numa versão mais jovem e local).

Eu já tinha tido várias experiências de remar, com caiaque e SUP, mas nessa canoa foi a primeira vez - e eu não fazia ideia da dificuldade de fazer uma simples curva!
O percurso de 5k até onde começava a trilha foi hilário! Eu na frente tinha o compromisso de fazer as curvas e meu amigo atrás era o leme. Só sei que de canoagem a gente também curtiu muito um arvorismo, de tanto que atropelamos a vegetação pelo caminho! Rimos muita coisa.

A Cachoeira do Lajeado é uma coisa de linda. Pegamos uma trilha pequena depois da canoa, cerca de 1.5km. Adorei ter conhecido, apesar de estar mais cheia do que eu gostaria.
Fomos almoçar em um restaurante indicado pelo GG, nosso amigo do camping, e esse momento lá foi uma experiência à parte. Estava vazio, apenas 3 mesas preenchidas e dispostas de maneira bem distantes. As outras pessoas conversavam alto e descontraidamente. Às tantas, eu fiz um comentário pra menina da mesa do lado, a Ana, e ela já me incluiu no papo. Só sei que nós 6 enveredamos numa conversa fiada, cada um da sua mesa, que foi memorável.

Coloquei minha cadeira de lado, rimos toneladas, trocamos dicas de viagens, de sobrevivência mental a esse confinamento doido, falamos de filhos, vida e curtimos o momento.
E foi muito gostoso, em especial, porque não planejado. Eu não tentei manter as coisas sobre meu controle (péssimo hábito de ansiosos que não sabem lidar com o desconhecido), e apenas deixei fluir. Fiquei pensando em quantas vezes na minha vida eu interferi no ritmo natural do momento para poder seguir o “planejado”... e no tanto de coisa leve e gostada eu deixei de viver por conta disso.

Nota do dia: Just flow, Ursula. Porque navegar é preciso. Viver não é preciso.



Lapinha trip

O final de semana chega e eu com certo “medinho” de vir um galerão nada a ver aqui pro camping e acabar com meu astral good vibes.

Que nada!
Tava trocando ideia com Joaquim agora, um senhor de alguns vários anos (sem chance de acertar no chute) que ama fotografar animais. Ele já tinha como hobbie clicar paisagens, mas durante a pandemia “tava surtando”, me disse ele, e desdobrou a paixão para os pássaros. Já clicou mais de 200 espécies e hoje a vida gira em torno disso. Achei aquilo o máximo! Um universo tão particular, tão cheio de pormenores e que eu nunca imaginava que fosse assim.

Junto com Joaquim, veio GG, um cara maduro, mais novo que Joaquim mas já coroa também. Falante até os cotovelos! Me deu dica de cachoeiras, trilhas, campings e travessias. Me falou de tipos de queijos, de viagens que já fez, de amigos que conheceu e da esposa que ficou em BH. Astral nas nuvens, o GG.
Também falei rapidamente com o Trota, um mineiro que vive na Espanha. Durante a pandemia voltou pro Brasil, mas está aguardando a confusão passar pra meter o pé de novo. Me pareceu mais tímido, mas jogamos uma conversa fora sobre a impossibilidade de nos planejarmos muito nessa fase. “Quando me perguntam se eu volto pra Espanha, eu sempre respondo que sim, mas que não sei quando. Nos próximos dois dias, garanto que não”. Espero que ele possa voltar.

Bom, e tem o Bruno. Cara sensacional! Cuida do camping e tem a Bambu Aventuras. É um guia local que conhece tudo da região! Fugiu de BH quando o filho tinha um ano - agora com 14. Muito conhecido no meio de MTB, corredor de trail dos bons e me contou t-u-d-o sobre as plantas, as histórias dos nativos e sobre como ele movimenta o esporte na região. No nosso treino pro Bicame, ele falou com muito orgulho de como mudou um pouco o perfil dos locais de andar a cavalo e beber no botequim, para uma vida mais saudável, com mais movimento e integrada à natureza. Ele incentiva as crianças e jovens a praticarem esporte e reconhece o quanto já tocou e transformou muitas vidas por aqui.

O mundo precisa de mais Brunos! E todos nós precisamos de leveza para enxergarmos essas pequenas belezas da vida.

Seguimos!

Sinto muito, mas eu sinto muito!

 

Não quero pouco de nada.
Quero muito de tudo. 
Canso com rotina, tenho preguiça de preguiça.
Por favor, não economize...
Sinto muito, mas eu sinto muito!

Flamengo

 

Minha família inteira torce pro Flamengo. Com excessão da minha mãe, meu avô (paterno) que eram fluminense, e do meu pai, botafoguense, todos os outros sempre torceram pro mengão. E não estou falando de pouca gente, meu pai tinha 6 irmãos, quase todos tiveram dois filhos, do lado da minha mãe éramos em 6 primos também... enfim, gente pra xuxu na torcida pelo rubro negro.

Além disso, morei do lado do estádio do Maracanã por 20 anos e, depois de saracotear uns anos fora do Rio, cá estou eu de novo fazendo mais aniversários do lado do que já foi o maior do mundo. Muitas partidas assistidas no velho Maracanã e algumas mais no novo. Muitas conquistas vibradas com alegria, e algumas (poucas) lembranças ruins - como um tal gol de barriga que colocou a nação abaixo naquela final.
Mas o que eu quero dizer é: o futebol sempre fez parte da minha vida.

Mas o engraçado disso tudo, é que eu sempre curti o Flamengo por intermédio do meu irmão. A paixão dele por futebol sempre foi visceral e eu sempre lembrava dele quando o Flamengo jogava. Lá no fundo eu não estava tão preocupada com o resultado, tudo pra mim era pensado nele. Quando o Flamengo perdia, nossa casa ficava melancólica. Ele chegava do Maracanã puto, sem falar uma palavra, e se trancava dentro do quarto. Aquilo deixava meu coração minúsculo... já quando a gente conquistava mais um título - e, convenhamos, temos muitas alegrias desde sempre - meu coração ficava cheinho, porque eu sabia que ele estava feliz. Era pura festa!

Crescemos e tivemos filhos. E, como não era de se esperar, meu sobrinho é um mini Camilo, outro viciado em futebol e, claro, flamenguista doente. O moleque tem 7 anos, gente, mas se você mostrar uma imagem de qq jogador de futebol meio famoso, ele sabe dizer não só o nome, mas todos os clubes por onde passou. A história do Flamengo então... ele sabe de cabo a rabo. Até o nome do papagaio do técnico da conquista do segundo título estadual ele tem na ponta da língua. Ou seja, mais um viciadinho.

Por outro lado, cada vez mais eu me vejo distante do futebol. Deixei de acompanhar e não vibro mais como vibrava. Muitos anos fora do Rio, a chateação dos perrengues enfrentados para chegar em casa em dia de jogo... um pouco de cada coisa que me distanciou desse universo.

Porém, uma coisa não mudou: minha satisfação em ver meu irmão feliz. E hoje, complementada pela satisfação de ver meu sobrinho feliz! Flamengo pra mim hoje é isso: esses dois pulando tarde da noite, roucos de gritar, comemorando mais um título.



Sinto a sensação de estar precisando de algo que não sei o que, nem onde procurar. Sinto a sensação de que a causa pode, simplesmente, ser em função do excesso de coisas na vida. Preocupações, superficialidades e espaços todos muito preenchidos. A gente não precisa querer preencher sempre tudo.

Aos poucos vou percebendo o caminho... a importância dos vazios, do que realmente importa e representa o sentido da minha vida, a inutilidade de me preocupar tanto com tudo.

Uma montanha, uma mochila, uma casa portátil, pessoas vibrando iguais e eu de repente tenho tudo.

As vezes a falta que a gente sente é, na verdade, excesso.

📸 @marcosphotografo



Quem é você

Teve uma fase da minha vida que eu me senti perdida. Olhei meu reflexo no espelho e me questionei “quem é você?” Eu não acreditava nesse novo formato da minha alma. Foi duro à beça assumir isso. Depois muito duro entender porque tinha acontecido e, mais ainda, me movimentar para mudar. Foi um tsunami, que envolveu divórcio, mudança na forma de me vestir (sim, não tem como negar que precisamos estar em harmonia com a casinha da nossa alma) mas, sobretudo, uma mudança de hábitos.

No início eu ficava tentando buscar quem era a Ursula lá de 10 anos atrás para poder me parecer com ela de novo. Mas isso foi confuso então eu resolvi CONSTRUIR uma nova Ursula; resolvi ser quem eu queria ser. E, nossa, foi libertador.

Nesse processo a corrida entrou na minha vida. Eu já fiz inúmeros esportes desde criança, mas nunca tinha experimentado uma satisfação tão grande quanto eu sinto quando corro. Comecei com asfalto, mas rapidamente migrei para o trail. Foi o verdadeiro nirvana.
Essa foto resume toda essa paixão que eu falei e o resultado de todo o processo de transformação por que passei. Diariamente, eu me agradeço por nunca ter desistido de mim, de ser quem eu queria ser. Deixo um agradecimento especial aos envolvidos nesse rolê incrível, representando todas as pessoas que dividem comigo essa vida saudável, do alto das montanhas, cheia de verde e vento na cara:

Dum: De longe ele é o dono de uma conceituada assessoria de corrida. De perto, aquele corredor raiz na mais profunda essência da palavra. Um tênis por ano, não perde tempo analisando pace, não usa mochila nem gasta com garrafinha tecnológica. “Isso é tudo que eu tenho” – uma garrafa de Minalba que ele carrega na mão.

Chaves: Sabe os melhores esquemas fotográficos do rolê e cansado dá mais trabalho que muita gente treinada. na descida engata uma quinta que entra em alfa – e só sai de lá quando aparece um sapo-jacaré que faz alguém gritar atrás dele igual maluca.

(Perdi o resto do texto. Que pena...)



Mão na perna


Eu namorei um menino quando tinha uns 20 e pouco que era uma gracinha. Bonito, inteligente e fazia tudo por mim, tudo.

Um dia ele me contou uma história. O primo dele estava dirigindo para uma cidade vizinha, em uma viagem de cerca de 3h. A esposa do primo, sentada no banco do carona, foi a viagem toda - TODA - com a mão apoiada na perna dele. Meu namorado, mais novo na época e que viajava atrás, viu aquilo e pensou “é isso que eu quero”. Ele me contou aquilo com um enorme brilho no olhar, se referindo à mulher que ele queria ter do lado dele.
A gente terminou.

Hoje, muitos anos, alguns tantos relacionamentos, um casamento e uma filha depois eu sigo não querendo ser aquela mulher. Simplesmente pelo fato de não conseguir ser aquela mulher.
Não sei ser apenas uma coisa. Eu me sinto precisando ser muitas para me sentir realizada - e poder pensar em realizar um parceiro.

Eu quero fazer carinho na perna, mas eu quero colocar música alta na estrada e cantar desafinada - canta junto comigo? Ou pode rir da minha cara também! Quero tirar um cochilo de boca aberta sem ter vergonha por não ser bonito; quero curtir a paisagem e conversar com Deus; quero parar pra fazer xixi e tomar um café - enquanto a gente faz planos pra quando chegar.

Quero cafuné e fogo. Quero agito e calmaria. Quero correr e quero dormir. Quero rir e chorar. Não quero ficar 3h com a mão repousada sobre uma perna. Mesmo que seja a perna que eu amo.

Valentina e o sling

Me lembro exatamente do primeiro dia que a Valentina usou o sling. Ela tinha um mês de vida, era um tisco de criança, vivia chorando, nunca dormia e eu estava um caco. Sério, eu estava um caco.

Todas as noites era aquele mesmo ciclo: eu amamentava, me recostava na cama para ela arrotar e, antes que eu pudesse colocá-la deitada, lá estava ela de novo de boca aberta fazendo barulho. Eu não conseguia descansar, não dormia nada e estava exausta.

Não me lembro bem como cheguei até aquele anjo, mas lembro bem quando ela chegou lá em casa - nessa época eu morava em Floripa e era meados de janeiro, um calor danado. Uma moça com cara simpática que, não apenas vendia slings, mas levava até a casa das mães e as ensinava a usar.

Na simulação, a Valentina era o Snoopy de pelúcia. Aquilo foi engraçado. Ele era maior que ela e a moça o segurava com um carinho e delicadeza tão grandes, que parecia mesmo um recém nascido.
Eu estava animada e insegura ao mesmo tempo. Era um pouquinho estranha a ideia de colocar a minha filha dentro de uma mini rede de tecido e sair por aí com ela ali empacotada. Mas eu precisava tentar. E, olha, ainda bem que tentei.

Depois de entender como era o funcionamento daquela panarada e, principalmente, de como fazer aquilo com segurança, eu me aventurei. Me aventurei e ganhamos o mundo.

O que aconteceu foi mágico. Tudo que a Valentina queria e precisava era estar perto de mim. Por algum motivo, ou vários, a segurança a tranquilidade dela naquele momento dependia de estar próxima da mamãe. E assim foi. Ela entrou no sling e se tranquilizou. Chorou menos e dormiu mais. Eu também.
Ouvi muitas vezes das pessoas “mas ela está bem aí dentro?” Ou “ela não esta está sufocando?” E, ainda “vai ficar mimada com tanto colo da mãe!” Eu sempre dava um leve sorriso e respondia segura que ela estava no melhor lugar do mundo, onde precisava estar naquele momento: próxima da mamãe, ouvindo o coração dela bater, assim como era quando estava na minha barriga.

Tenho dúvidas de quanto tempo usamos aquele pano mágico, mas foi o tempo suficiente de nos estruturarmos emocionalmente e conseguirmos sair dali pra vida.

Hoje, dez anos depois, nossa ligação ainda é muito profunda. O uso do sling me ensinou algo desde cedo, que alimenta essa ligação diariamente: não se nega afeto a um filho. Valentina sempre recebeu de mim todos os colos que precisava, todos os abraços que pediu, todos os afagos que nem ela sabia que tinha que receber. Porque educar um filho, sobretudo, é muito mais sobre dizer sim ao amor do que qualquer outra coisa que esteja escrita em um livro. 

Ame e basta.



Amores líquidos

(Escrito originalmente em 5 de janeiro de 2021)

Amores líquidos, conceito linda e profundamente abordado por Bauman. É aquele amor que as pessoas querem manter, enquanto lhes trouxer satisfação, sendo substituído rapidamente por outro que apresente melhor custo-benefício. Tipo trocar de máscara hoje em dia.

Acabamos vivendo um paradoxo, uma vez que o ser humano quer construir algo mais sólido e menos raso, mas ao mesmo tempo encara a visão de amor como “objeto encontrado”. Ainda não consegui chegar ao fim da minha leitura de “Amores Líquidos”, tamanha a densidade da obra e angústia que sinto ao desbravar aqueles escritos. A clareza com que ele descreve a fragilidade dos relacionamentos modernos é dolorida pra mim. No bom e velho português, hoje é muito fácil bloquear e descartar alguém.

Não sou defensora dos relacionamentos nos moldes da minha avó. Em que a separação não era uma opção e se aguentava tudo em prol da manutenção da família – tudo mesmo. Mas o descarte hoje é tão gratuito que fomos de um extremo pólo ao outro.

A facilidade das relações, promovida pelo mundo conectado em que vivemos, não está relacionada à qualidade delas. E aí o que vemos é um mundo de relações fugazes e, desculpem-me a franqueza, rasas e tristes. Mas eu sigo profunda. Mas eu sigo alegre. E não me encaixo nas teorias do sábio, mas cruel, Bauman. Vivo nessa sociedade líquida, mas não me identifico com ela. Um dia qualquer desses, eu me rendo. Mas vou lutar até o último minuto.

Não se renda. Os bons são a maioria.

Mar

(escrito originalmente em 7 de novembro de 2020)

Mar de sal
é o do documento
de montanha
é o do coração.



A FICHA



Procurando um clips em uma caixinha, encontrei isso...

Uma ficha! De um orelhão! Se a época da internet discada parece que foi em outra vida, imagina a época do orelhão de ficha. Lembro muito bem desse tempo. Eu e meu irmão estudávamos no Largo do Machado e já íamos juntos sozinhos pra escola de ônibus, saindo da Tijuca. Minha mãe sempre tinha uma lista de recomendações sendo a mais importante: “qualquer coisa liguem pra casa e falem que vão atrasar”. E ela sempre revisitava nossas carteiras para garantir que o estoque de fichas estava em dia.

Saudosismo misturado com aquela coisa de "como o tempo voa", somado a uma ironia sarcástica... eu aqui, no meu homem office, fazendo minhas entregas profissionais à distância, graças ao meu computador, à internet, às reuniões via app de vídeo... quanta tecnologia comparada à esse tempo desse objetinho desconhecido de tanta gente.

Uma ficha...





Érica

Érica

Foi o nome que ele me chamou.
Érica.
Foi quem me libertou (dele).

Ei, menina, você é incrível e não deixe que ninguém te diga o contrário

 


Você esfregou na minha cara a minha força, minha alegria de viver e meu valor em um momento de (re)estabelecimento de novo ponto de equilíbrio na minha vida. Você sussurrou no meu ouvido “ei, menina, você é incrível e não deixe que ninguém te diga o contrário. E lembre-se sempre de exigir de quem quiser estar do seu lado que tenha atitudes tão incríveis quanto as que eu vejo em você”. Foi uma doce melodia ouvir isso. Estou voltando pra casa outra mulher por conta, em grande parte, desse sussurro.

Você me fez entender que major não é o cargo mais alto da marinha, embora combine muito com isso na minha opinião. Na verdade, nem da marinha o é, e muito menos quem manda na porra toda. Esclareceu, não sem muito bullying, que quem dirige é motorista e quem conduz o avião é o piloto - que pilota. Aliás, é correto dizer que um avião é “conduzido”? Ou eu te dei mais combustível pra me bullyinar?

Você combina, assim como eu gosto de combinar, leveza com intensidade, regras com quebra delas, romantismo com safadeza. Uma mistura de sem pressa com querer tudo agora porque está bom demais e eu não quero deixar de viver isso. Porque a vida é feita pra se viver - não para a entupirmos de nãos, de agora é tarde, de estou muito velho pra isso, de vai ficar gripado se tomar banho de chuva. Eu adoro tomar banho de chuva.

Sua paixão por música tocou minha alma - como você descreve com detalhe, precisão e paixão as composições e o que elas despertam em vc. Assim como eu, adora transpor uma letra pra vida - e uma vida (ou duas) pra dentro de uma letra. Talvez de uma playlist.

Aliás, paixão descreve você pra mim. Além de ser apaixonante e ter me feito cair em seus braços quando a última coisa que eu achei que aconteceria fosse isso, você faz tudo com paixão. Você corre com paixão, você cozinha com paixão, trabalha com paixão, você se relaciona com paixão. Não se permita viver nada sem paixão - a luz da gente depende disso. E você merece uma vida inteiramente iluminada.

Até que eu pare de me preocupar tanto em acertar e mais um viver



Não vai dar certo de primeira.
Mais de uma vez você vai achar que deu certo pra sempre.
E muitas outras vezes, nota-se que, no fundo, até quando dá errado, dá certo de alguma forma.
Noutras, profundamente certo por intensas míseras horas.
Sem contar com os momentos em que se arrumar uma coisinha aqui e outra ali vai fazer parecer que deu. Mas não.
Aliás, o que, afinal, é isso que todo mundo tanto fala “dar certo”?!
Enquanto penso nisso, eu leio, estudo, observo... e experimento. E vou dando certo e errado e depois certo por mais um tempo de novo. Até que eu pare de me preocupar tanto em acertar e mais um viver. Tenho certeza que uma hora vou olhar pra trás e pensar “uau! Não é que deu?! Ou melhor, ta dando...”

63o dia de isolamento social

 63o dia de isolamento social

Brasil - pandemia do Covid-19
19/05/2020 (naquele que era pra ser “o ano”)

Não. Não vamos renascer. A humanidade não irá rever seus conceitos e “sair dessa” melhor do que entrou.
Continuaremos homofóbicos, corruptos, individualistas, depressivos. Ainda conviveremos com desigualdades (maiores, bem maiores até), com antipatia, com desamor.
O mundo morre, enquanto eu tento me esconder em casa e entender o que acontece lá fora. Aqui dentro tem saúde física, mas dor psíquica. Tem insônia, tem ansiedade, tem medo, tem impaciência.
Se já não entendia o propósito da vida antes, agora nada parece ter sentido algum. Pra que esse caos todo? Porque? Pra onde?
Um passarinho na gaiola fica triste sem pode voar na natureza. Será que com o tempo ele desaprende de voar? Espero que não... minha gaiola é pequena, é agoniante e também confusa. O voo justifica e ampara tudo.
Tô meditando. Alguns dias tranquila e relaxada, em outros pensando na infinidade de assuntos que deveriam estar em qq outro lugar - mas não na minha mente. Não naquela hora.
Também estou correndo. Na esteira. Não penso no motivo, não sinto o efeito da endorfina - só tô indo.
Eu me sinto me segurando para “quando as coisas voltarem ao normal”. E eu puder de novo andar na rua sem medo, correr no verde, abraçar. Mas esse normal está demorando a chegar... onde ele está? Aliás, ele vai chegar?!
Tá muito difícil ficar sem norte. Acordar sem objetivo, sem meta, sem plano. Não ter uma prova desafiadora pra correr que me estimule a treinar, umas férias maravilhosas para desfrutar com todo seu planejamento pra me ocupar. Tá difícil pensar que nossa curva de mortos sobe... enquanto eu me preocupo com minhas pequenices. Sobreviver não deveria ser meta de vida.
Queria ouvir o sussurro do universo no meu ouvido “vai passar...”. Mas no fundo, ninguém sabe se vai. Ou o que restará no amanhã do nosso hoje. O “vai passar” que não passa de um meio de atenuar o cenário e tornar as dificuldades suportáveis. Ninguém sabe se ou como vai.
Sentei e chorei. Ando precisando esvaziar. Todo dia, mais de uma vez. Esvaziar pra continuar. 

Era cinza, era sem graça. Até que do nada surgiu um talvez.

(Escrita originalmente em 20 de outubro de 2020).


Era cinza, era sem graça. Até que do nada surgiu um talvez. Era sábado e você cozinhou pra gente. Não zombou do meu gosto por rosé e lembrou que amo pudim de claras.

Eu ri tanto que cheguei a me achar abobada. Amo quem me faz rir. E você faz isso de uma forma irritantemente natural. Quando eu vejo, já estou me rasgando e me derretendo.
Você parecia tão você... o você de sempre. Mas ao mesmo tempo tão confortável dentro de mim, tão íntimo, tão em casa. E eu ali, entregue. De onde te conheço?
Fiquei pensando se era eu querendo querer ou eu fingindo não estar vendo o desejo surgir. Eu me confundo às vezes nisso tudo. Acho que ainda não sou boa ouvinte de mim mesma.
Tudo seguindo rápido e devagar. Intenso e fluido. Quente e sem pressa. Não conheço esse ritmo _sem pressa_. Talvez eu goste dele dessa vez. Queria.
Só não se perca em mim. Não acredite no que falo, eu minto. Minto pra você como minto pra mim - é sempre assim. Apenas me leia, apenas entenda minha imensidão.
Talvez eu goste do riso largo e sem pressa com você. Talvez a gente vá se querendo por mais umas horas - até o sol se pôr. Só não se perca em mim. E não acredite no que eu falo, eu minto.

Vem, senta aqui, Ouve esse silêncio



(Escrita originalmente em 29/10/2020)

Vem, senta aqui
Ouve esse silêncio

Me abraça, me beija, se conecta comigo

Esquece tudo que não está aqui
Tudo que não está agora

Vem, senta aqui
Ouve esse silêncio


Me conta seus medos, me conta seus sonhos; ri comigo
Finge que esse verde é nossa casa, que nossa cama é essa água
Fala comigo sem palavras

Vem, senta aqui
Ouve esse silêncio


Me ajuda a tirar o peso, a tirar o pensamento
A mente, mente
Confia no teu pelo, toca minha pele

Vem, senta aqui
Ouve esse silêncio