sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O que é ser mãe?



Ser mãe para mim foi bem difícil no início. Bem difícil mesmo. Quando a Valentina nasceu eu senti uma mistura de medo, ansiedade, insegurança. E quanto mais eu sentia tudo isso, pior eu ficava, sentindo-me culpada por tanto sentimento ruim, diante de uma coisa tão boa. Minha conexão com a Valentina era enorme, mas tudo parecia assustador...

Conversar com minha mãe me fez bem, o apoio do Marquinho foi essencial. Com o passar dos dias, fui ganhando confiança. Senti-me mais forte e segura ao trocar as fraldas, ao dar banho, ao amamentar. E não é que tudo tenha ficado um mar de rosas, mas comecei a me sentir mais segura, pronta para os milhares de desafios e provações que eu iria enfrentar.

O que sempre me impressionou na maternidade, desde a hora do parto e até hoje, é como é grande nossa capacidade de amar. No início a Valentina nem sabia onde estava, quem era ela, quem era eu, não interagia e mal olhava pra nós - atitudes comuns aos recém-nascidos - e eu já a amava.

...
Quando o sorriso surgiu no meio daquelas duas bochechinhas rechonchudas foi uma explosão de alegria! Como o amor cresceu! Na verdade o amor cresceu a cada nova troca de fraldas, a cada banho dado, a cada novo passo conquistado!

No início eu a amava tanto que achava que já tinha chegado na completude do amor-de-mãe. Mas, vejam vocês como eu estava enganada, percebi que a cada dia que passava, o amor aumentava! Ser mãe hoje significa pra mim muitas coisas. E em todas elas eu estou em segundo plano. Primeiro eu dou o papá, sou a última a me arrumar, a segunda a dormir, fico sempre segurando o xixi.

Descobri que na maternidade, a melhor coisa mesmo é não ganhar, mas chegar em segundo lugar!


Encontro satisfação nas coisas mais bobas e corriqueiras: um coco bem grande e mole, em um arroto bem dado, no final de uma papinha, ou numa típica baguncinha.


Às vezes cansada e com sono às cinco da manhã, fico observando a mãozinha dela segurando a mamadeira "como é bom estar acordada nessa brincadeira".


O dentinho que morde meu dedo e me machuca, as mil e umas gracinhas da minha filhuca!

Nem sei onde guardo mais meus lenços, minha manicure já esqueceu meu nome, maquiagem? Só quando a feiura me consome!

O que é ser mãe? Acho que nenhuma mulher sabe o que é isso, acho mesmo que a gente vai gerundiando pela vida, vamos sabendo à medida em que vamos vivendo... mas uma coisa é plenitude: o amor de mãe não tem finutude!

Engatinhando eu ganhei o mundo

Oi, sou eu, Valentina!

Hoje vou falar sobre minha mais nova conquista: engatinhar! Mas não, não estou falando daquele deslocamento arrastado, de 30 centímetros, que muitos bebes fazem já aos 6 ou 7 meses. Eu estou falando de Engatinhar! Com E maiúsculo!

Até semana passada eu era dessas bebezinhas, as tais dos 3o cm. Mas aí eu tomei o chá do crescimento lá em Florianópolis e virei um bebezão! Minha mãe bem que percebeu minha agilidade brincando na cama da vovó Nelita, mas eu guardei o melhor para a volta!

Quando chegamos em Araranguá, papai me colocou no meu tapetão de EVA, junto com meus brinquedos e foi ligar seu computador. Mamãe chegou na sequência, e estava distraída com algumas arrumações. Foi quando pensei "é agora!" E saí no pinote engatinhando na maior velocidade e com todo estilo que eu podia. Olhei pra eles e "droga! Ninguém esta olhando pra mim!"

Mas não demorou muito, afinal mamãe e papai estão sempre atentos comigo. Fiquei toda serelepe quando mamãe cutucou papai e disse "nossa, amor! Olha onde a Valentina esta!" E lá estava eu, do outro lado da sala, bem longe do tapetão de EVA, mastigando o fio do telefone, feliz da vida por ter ganho o mundo...


Os primeiros: tombo, papinha salgada e dentinho

O primeiro tombo! Segura coração!

Estavamos na casa da vovó da Valentina Didê no Rio de Janeiro e dormíamos na cama dela, eu, Valentina e Marquinho. Acordei cedo, como de costume, e resolvi levantar bem quietinha, deixando filhuca e seu papai prolongarem o soninho. Fui para a sala e minha mãe já tinha acordado. Papo vai papo vem.
Estranhei o silêncio "caramba, Valentina ainda não acordou?!", mas o papo tava tão bom que eu ali fiquei. Dali a pouco meu coração gelou! Ouvi um barulho e zupt, corri para o quarto. Quando lá cheguei vi uma cena que fez meu coração derreter: Marquinho com Valentina aos pranto em seu colo me dizendo quase sem voz "amor, ela caiu da cama!"
Não gosto nem de lembrar! Na verdade acho que demorei tanto pra escrever isso aqui porque precisava diluir o aperto no coração que ficamos naquele dia...
Minha primeira reação foi desespero, seguida, quase que imediatamente de um processo de controle "Ursula, se segura, Valentina precisa da tua calma para que ela possa se tranquilizar. E você precisa estar calma para verificar se algo grave aconteceu!"
O que de mais grave aconteceu foi, na verdade, o susto! Ufa! Logo filhuca se acalmou e serelepe ficou! Depois de umas horas sob olhares atentos de supervisão, vimos que estava tudo bem... um agradecimento especial à Natalia, enfermeira e esposa do meu primo Guga que nos orientou e tranquilizou na hora do aperto...


A primeira papinha salgada! Quanta decepção!

Foi um fiasco! Eu estava super empolgada com a introdução da alimentação sólida. Com as frutinhas tudo estava indo muito bem! Exceto com as de textura mais marcante, como maça, Valentina estava se amarrando com essa coisa de comer novas delícias!
Aí o grande dia chegou: a primeira sopinha! Estavamos na casa da Vó Didê também - talvez até na mesma viagem em que rolou o primeiro tombo, não lembro bem - e a receita era: batatinha, cenoura e chuchu. Sem sal. Questionável.
A preparação foi realizada ao ritmo do coração batendo mais forte. Sei lá porque, mas eu estava muito empolgada com a história da sopinha! Mal sabia o que me esperava...
Depois de cozidinha, uma passagem pela peneira, tal como a médica orientou, e a sopinha estava pronta. Coloca Valentina na cadeirinha, aperta o cinto, põe o babador. E... aaaaaarg! "O que é isso mamãe? Cadê minha banana? Cade meu mamãozinho? O que é esse treco que você esta achando que eu vou comer, mamãe???"
É, foi um verdaderiro fiasco. Na verdade foi um fiasco nas primeiras novecentas e não sei quantas vezes em que eu tentei! A briga foi feia! Mas, graças à muita insistência e paciência a sopinha venceu e Valentina cedeu! Ufa...

O que é isso mamãe???!


O primeiro dentinho! Quanta emoção!

Foi uma alegria só! Eu já sabia que a hora estava chegando, a coceira tinha intensificado e a gengiva estava no ponto! Estávamos em Itaipava - quanta viagem, né?! - na casa do Tio Biê e Tia Vivinha. Eu fazia checagens diárias para ver se o danadinho já tinha despontado, mas nada ainda. Até que, um dia antes da Valentina completar 7 meses, estavamos sentadinhas brincando quando ela pegou meu dedo para levar à boca. Quando, nhac, mordeu meu polegar, ui! Nasceu, nasceu! Nem dava para ver direito, mas meu dedo não negava, o dentinho tinha rasgado a gengiva e despontava para uma nova vida na superfície! Uma nova vida para ele e para mim, que agora tinha que desviar do danado nas inúmeras vezes em que filhuca levava meu dedo à boca...

Já tentei inúmeras vezes bater foto do dentinho, mas quase nunca consigo. Essa foi sem querer, no meio de uma bravezinha!