quinta-feira, 10 de março de 2011

Chupeta e a necessidade de sucção



Sei que esse assunto de criança chupar chupeta é um pouco polêmico. Há os que defendem a ideia, há os que a condenam em prol do dedo e há, ainda, os que optam por nenhuma das duas opções para seus filhos.

Antes da Valentina nascer eu já sabia de uma coisa: ela não chuparia dedo. Ao menos não no que dependesse de mim, que por experiência própria sei o quanto pode ser traumático deixar esse hábito. Imagina você: uma coisa que acalma, relaxa, é de graça e esta à disposição 100% do tempo ao seu lado?!!

Sei que crianças que chupam dedo nunca o fazem quando estão brincado, por estarem com as mãos ocupadas e isso é algo realmente bom. Mas como todo pai e mãe, eu não queria que minha filha vivesse uma experiência ruin como a que eu tive. Ok, ok, sei que não devemos projetar nos filhos angustias e frustações que vivemos ou desejos e sonhos não realizados. Mas que atire a primeira pedra quem não faz isso... no início eu desejava que ela não pegasse nada, nem dedo nem chupeta. Esse era meu desejo até a realidade bater. E bateu.

Na verdade bateram duas reais à minha porta: as mil e uma dificuldades que o bebê enfrenta ao longo de seu crescimento, muitas delas ligadas à dor (cólicas, malditas!) e outras não físicas, mas angustiantes também (medo de que a mamãe não volte, necessidade de aconchego...) e a outra foi a tal necessidade de sucção. É isso mesmo: necessidade de sucção. Eu já conseguia observar a agonia da Valentina colocando a mãozinha inteira dentro da boca e chupando-a sem parar antes mesmo de saber que essa tal necessidade de sucção existia "cientificamente comprovada". Pesquisando em livros e na internet descobri que o bebê precisa mesmo disso em determinada fase: sugar.

Bem, a partir daí eu comecei a rever meu conceito pensando "puxa vida, se a Valentina pegasse chupeta, em alguns momentos ela conseguiria relaxar muito e eu teria tranquilidade também". Foi quando a saga teve início! Eu já tinha duas chupetas em casa, de marcas diferentes ganhas de amigos e parentes e as aproveitei para minha experiência. Em diversos momentos e de diversas formas fui tentanto fazer com que a Valentina pegasse a chupeta. Nada. Eu tinha uma clara sensação de que aquilo nunca ia dar certo, dada as caretas e ânsias de vômito que eu produzia nela com minhas tentivas. Acho que se ela pudesse escrever um email, o faria dizendo: "Querida mamãe, pare com essa ideia maluca de querer que eu chupe essa coisa medonha de plástico. Prefiro minha mao ou o meu mamá. Isso é horrível!"

Eu até já estava me contentando com o fato de que ela não pegaria chupeta e, pior, que talvez até acabasse descobrindo o dedo com o conforto provocado pelas mãozinhas na boca quando... por cerca de dois segundos ela me acendeu uma luz no fim do tunel sugando aquele estranho objeto de plástico. Eu só pude pensar "era isso que eu precisava, uma esperança!" Desde esse dia em diante, diariamente eu insistia com os modelos que já tinha em casa e com os outros tantos que comprei, determinada que minha filha pudesse contar com o alento da chupeta nas horas dificeis. Até que...

Ontem, dia 9 de março, por volta das 15:30h ela grudou! Sugou tanto a chupeta, em um momento de muito sono e muitos puns, que eu quase chorei! Sem desviar a atenção dela chamei todos que aqui estavam para ver a proeza: papai, titio Milo e titia Cintia. Todos vibraram com minha empolgação!

Aprendi algumas lições com esse episódio. A primeira delas é sobre idealização. Pais não devem idealizar para seus filhos coisas sobre as quais não tem controle. Uma grande sabedoria que os pais conquistam diz respeito a quando devemos deixar de lado o ideal e partirmos em busca do real e prático. Eu preferiria que valentina não se apegasse a nada, mas vi que seria necessario para ela e para mim que ela o fizesse. Acho que não existe fórmula, o que precisamos é dançar conforme a música... e ela vai mudando sua melodia sempre...

Um beijo e até a próxima aventura!
Ursula

sexta-feira, 4 de março de 2011

Meu banho, eis a questão!




Quando em tinha 21 dias de vida fiz minha primeira viagem, de Florianópolis para Araranguá. Foi quase um bate-volta, fomos em um dia e voltamos no outro. Mamãe ficou bastante tensa e até culpada de estar saindo tão cedo comigo para estripulias, mas para mim não fez muita diferença, afinal se ela também estava indo, eu tinha tudo que precisava. E ademais, tínhamos o aval do pediatra, o que deu algum conforto para mamãe.

Como primeira viagem que era, mamãe cercou-se de segurança e levou uma mala cheinha de coisas só para mim. Acho que devia ter 3 de tudo: 3 toalhas, 3 jogos de lençol, 3 mudas de roupa de frio - no verão?! -, 3 mudas de roupa de calor, 3 pacotes de fralda... um exagero que até ela concordava, mas papai nem perdeu tempo dizendo isso e vovó Didê não quis se meter na confusão. E fomos, cheios de roupas e inseguranças.

Aí eu cresci e fiz dois meses e alguns dias de vida! Mamãe, embora fosse a mesma mamãe com o mesmo mamá de sempre, já parecia ser outra. Agora mais esperta, prática e tranquila. E fomos fazer outra viagem de Floripa para Araranguá. Dessa vez sem vovó, que já tinha voltado pro Rio, apenas papai, com sua tranquilidade de sempre, eu já crescidona e mamãe-confiante.

A confiança de mamãe era tanta, que minha mala foi feita as 3 da manhã do dia em que saímos e em 5 minutos. Eu estava tendo umas crises de puns de madrugada e não estava conseguindo dormir. Só queria ficar perto dela, então fui colocada no sling e a mala, na verdade agora uma bolsa, foi feita. Tinha 1 de cada coisa, e até zero de outras, como só foi percebido lá...

Chegamos, o dia correu tudo bem e era chegada a hora do banho! Essa é uma das que eu mais gosto no dia, mas dessa vez eu teria algumas diferenças pela frente, em relação à minha rotina habitual. TCHAN TCHAN TCHAN TCHAN!!! Mamãe tinha esquecido minha toalha e minha banheira!!! Eu cheguei a ficar bastante apreensiva com aquilo, pois papai insistia que ficar um dia sem tomar banho não teria problema nenhum. Mamãe, adgovando em minha causa, argumentava com ele que o banho era mais que para minha simples higiene, fazia parte da minha rotina, era relaxante e que depois eu iria dormir mais tranquila.

A solução para a toalha foi bastante simples: ao invéz de uma de bebe, que aliás não seca nada, eu usaria uma de adulto. "Mas e o banho em si?" - perguntava eu sem que ninguém me desse atenção. Algumas soluções surgiram antes do arremate final, como banho de balde com papai me segurando e mamãe me molhando de caneco; banho de balde me colocando lá dentro, como uma piscininha... mas quem levou o lance foi a cozinha, mais precisamente a pia da cozinha! E assim foi...

Beijo e até a próxima aventura!!!
Valentina