domingo, 27 de fevereiro de 2011

Arrotos, puns e outras contravenções sociais


Eu já tenho quase 3 meses e ainda não cheguei nem perto de entender esse mundo novo em que vivo. Quando estava na barriga da minha mãe era tudo tão fácil e tranqüilo... passava meus dia nadando, tinha toda a nutrição que precisava e era sempre a temperatura ideal! Depois que saí de lá a loucura começou! Primeiro essa coisa de ter que colocar roupa, afe, que coisa ruim! Nos primeiros dias até uma fina camada de pele saiu de mim, de tanto atrito que as roupas faziam na minha delicada pele. Agora, para me nutrir eu tenho que negociar com minha mãe um mamá. Em geral ela não regula muito, mas às vezes eu ainda tenho que ouvir um “mas já?! Você mamou há uma hora?!! Vamos esperar mais um pouco”. E se eu não apelo abrindo o berreiro, - tática muito boa! - tenho mesmo que esperar...

Mas o mais estranho de tudo é essa história de pum, arroto e cocô. Já vi algumas vezes mamãe tolir papai quando, ao tomar um belo gole de cerveja ou coca-cola, ele solta aquele arroto. Meu tio Milo idem, ele solta cada trovão sempre acompanhado de repreensão. Porque será que quando eu mamo e arroto ela fala “isso filhinha, tem que arrotar! Assim não dá cólica!” Papai e tio Milo não tem problemas de cólicas, será?!

E pum então?! Fico bastante aborrecida o chorosa quando começo a ter movimentos intestinais que acabam resultando em puns. Mamãe começa a massagear minha barriga dizendo “solta tudo filhinha, porque seu desconforto vai passar!” Caramba, não entendo nada! Nunca via nenhum adulto ser incentivado a soltar pum! Inclusive isso costuma ser motivo de bastante constrangimento social para quem não se segura e larga aquela bufa fedorenta no elevador!

Com cocô não é nada diferente. Eita assunto para ser tão normal em debates entre as novas mães e tão sigiloso no mundo dos adultos! É um tal de “A Valentina esta com o cocô esverdeado agora. Ouvi dizer que é normal quando se esta com cólicas”. “Jura, querida?! Mas ela esta fazendo quantos por dia? O Lucas em geral fazia cerca de 3 quando tinha dois meses”. Tudo assim, super normal, no meio da sala de espera do consultório médico. Mas pô, que coisa estranha os adultos não conversarem sobre os cocos deles! É tão bom trocar informação com os amigos, a gente aprende tanto...

Essa confusão toda me dá um pouco de medo de crescer... acho que prefiro continuar um bebê mesmo...

Um beijo e até a próxima!

Valentina

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