quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Furando a Orelha




Esse post na verdade deveria estar sendo escrito pelo Marquinho, o papai, pois acho que no final das contas ele foi o que mais sofreu com essa história toda. Mas, como não queria correr o risco de meu maridão brigar comigo publicamente, resolvi eu mesma escrever essa aventura...

Tudo começou antes mesmo da Valentina nascer. Lá no finzinho da gestação, quando a gente já estava começando a visualizar a nova fase da vida e também tudo que iria fazer parte do novo cotidiano, levamos um papo sobre um assunto polêmico: colocar ou não colocar brinco?

Para muita gente isso não trata-se de algo polêmico, mas sim obvio e direto: meninas furam suas orelhas ainda recém nascidas e ponto. Afinal são meninas. Mas entre eu e Marquinho foi algo de difícil negociação... ele dizia que achava um excesso, "maldade com a criança", que quando ela tivesse mais idade e quisesse furar, poderia optar por isso e nós a apoiaríamos. Já eu defendia que logo se colocasse, usando alguns argumentos meio furados, mas tentando ser convincente.

Depois de uma breve pesquisa com amigos próximos, pais de meninas, maridão se convenceu de que a época em que tal "gesto malvado" menos doía era logo que a criança nascesse. Todos declararam que a filha chorou pouco e que era bem tranquilo. Mas a nossa história não foi bem essa...

Descobri que a farmácia do bairro vendia os brinquinhos já com furador e aplicavam sem cobrar nada. Lá chegando, meu coração, que na verdade já estava super apertado, ameaçou saltar pela boca e eu, em um impulso bastante egoísta disse na frente do farmaceutico "papai é quem vai segura-la". Até hoje não sei como Marquinho não me contradisse, mas o fato é que lá foi ele, Valentina e o farmaceutico-tirano para uma salinha de tortura, enquanto eu tentava me distrair fazendo umas comprinhas inventadas de última hora.

Foi a primeira vez que ouvimos nossa filha chorar de verdade! Nessa época ela ainda não sofria de cólicas e esse se tornou seu primeiro episódio de "grande sofrimento". Depois de dois rompantes prolongados de intenso choro eu pensei comigo "acabou, finalmente". Eis que surge Marquinho com Valentina no colo aos prantos com apenas um, repito: um, brinco na orelha. O segundo rompante tinha sido apenas uma tentativa frustrante de furar a orelinha dela. Em um silêncio mortal e com fogo saindo pelos olhos, Marquinho me mirou por alguns segundos. Gelei. Sem ter como fazer nada para desfazer aquela situação bizarra, apenas disse "quer que eu ajude a segura-la?" e entrei na salinha de tortura. Sem olhar, lógico, segurei com firmeza a frágil cabecinha de minha filha tão amada e "clect" o tirano conseguiu finalizar o procedimento.

Até hoje não sei como Marquinhos não brigou seriamente comigo depois. Mas admito que o silêncio dele por horas a fio depois do episódio fora um castigo merecido... afinal se eu insisti tanto na questão, deveria no mínimo ter bancado a situação e levado eu mesma minha filha para a tortura, deixando-o de fora dessa...

Beijo a todos e até a próxima aventura!
Ursula

2 comentários:

  1. Nhó! furamos a orelhinha da Sophia minutos antes de sair da maternidade...foi super tranquilo, chorinho rápido, mas, dói na gente mesmo essa torturinha.

    ResponderExcluir
  2. Eu bem que queria ter furado já na maternidade, mas pelomenos aqui em Floripa eles não furam mais... nos primeiros dias o bebê nem sabe o que esta acontecendo e acho que o trauma é menor!

    ResponderExcluir