Estavamos na casa da vovó da Valentina Didê no Rio de Janeiro e dormíamos na cama dela, eu, Valentina e Marquinho. Acordei cedo, como de costume, e resolvi levantar bem quietinha, deixando filhuca e seu papai prolongarem o soninho. Fui para a sala e minha mãe já tinha acordado. Papo vai papo vem.
Estranhei o silêncio "caramba, Valentina ainda não acordou?!", mas o papo tava tão bom que eu ali fiquei. Dali a pouco meu coração gelou! Ouvi um barulho e zupt, corri para o quarto. Quando lá cheguei vi uma cena que fez meu coração derreter: Marquinho com Valentina aos pranto em seu colo me dizendo quase sem voz "amor, ela caiu da cama!"
Não gosto nem de lembrar! Na verdade acho que demorei tanto pra escrever isso aqui porque precisava diluir o aperto no coração que ficamos naquele dia...
Minha primeira reação foi desespero, seguida, quase que imediatamente de um processo de controle "Ursula, se segura, Valentina precisa da tua calma para que ela possa se tranquilizar. E você precisa estar calma para verificar se algo grave aconteceu!"
O que de mais grave aconteceu foi, na verdade, o susto! Ufa! Logo filhuca se acalmou e serelepe ficou! Depois de umas horas sob olhares atentos de supervisão, vimos que estava tudo bem... um agradecimento especial à Natalia, enfermeira e esposa do meu primo Guga que nos orientou e tranquilizou na hora do aperto...
A primeira papinha salgada! Quanta decepção!
Foi um fiasco! Eu estava super empolgada com a introdução da alimentação sólida. Com as frutinhas tudo estava indo muito bem! Exceto com as de textura mais marcante, como maça, Valentina estava se amarrando com essa coisa de comer novas delícias!
Aí o grande dia chegou: a primeira sopinha! Estavamos na casa da Vó Didê também - talvez até na mesma viagem em que rolou o primeiro tombo, não lembro bem - e a receita era: batatinha, cenoura e chuchu. Sem sal. Questionável.
A preparação foi realizada ao ritmo do coração batendo mais forte. Sei lá porque, mas eu estava muito empolgada com a história da sopinha! Mal sabia o que me esperava...
Depois de cozidinha, uma passagem pela peneira, tal como a médica orientou, e a sopinha estava pronta. Coloca Valentina na cadeirinha, aperta o cinto, põe o babador. E... aaaaaarg! "O que é isso mamãe? Cadê minha banana? Cade meu mamãozinho? O que é esse treco que você esta achando que eu vou comer, mamãe???"
É, foi um verdaderiro fiasco. Na verdade foi um fiasco nas primeiras novecentas e não sei quantas vezes em que eu tentei! A briga foi feia! Mas, graças à muita insistência e paciência a sopinha venceu e Valentina cedeu! Ufa...
O primeiro dentinho! Quanta emoção!
Foi uma alegria só! Eu já sabia que a hora estava chegando, a coceira tinha intensificado e a gengiva estava no ponto! Estávamos em Itaipava - quanta viagem, né?! - na casa do Tio Biê e Tia Vivinha. Eu fazia checagens diárias para ver se o danadinho já tinha despontado, mas nada ainda. Até que, um dia antes da Valentina completar 7 meses, estavamos sentadinhas brincando quando ela pegou meu dedo para levar à boca. Quando, nhac, mordeu meu polegar, ui! Nasceu, nasceu! Nem dava para ver direito, mas meu dedo não negava, o dentinho tinha rasgado a gengiva e despontava para uma nova vida na superfície! Uma nova vida para ele e para mim, que agora tinha que desviar do danado nas inúmeras vezes em que filhuca levava meu dedo à boca...
Já tentei inúmeras vezes bater foto do dentinho, mas quase nunca consigo. Essa foi sem querer, no meio de uma bravezinha!

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